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Como saber se aquele fio ainda serve pra alguma coisa

Existe uma sacola, uma caixa de sapato ou uma gaveta inteira na sua casa onde os cabos vão morar. Fonte preta com plugue estranho, dois cabos brancos idênticos, um fio com ponta amarela e vermelha, um carregador sem nada escrito, um cabo de rede azul. Você já abriu isso procurando um cabo específico, não achou, e comprou outro. O problema aqui não é falta de organização: é que ninguém nunca decidiu nada sobre aqueles fios, um por um.

Por que cabo acumula mais rápido que qualquer outra coisa

Cabo entra em casa sozinho, dentro da caixa de todo aparelho novo, sem que você escolha recebê-lo. E ele sai de circulação de um jeito silencioso: o aparelho quebra, é vendido ou vira sucata, e o cabo dele continua na casa porque parece genérico demais para ser descartado junto.

Somado a isso, cabo é leve, dobra, ocupa pouco e não incomoda ninguém. É a combinação perfeita para acumular por anos sem que alguém repare. Por isso, quando você finalmente esvazia a caixa, costuma sair muito mais coisa do que a memória prometia.

Antes de julgar um, junte todos

Não adianta decidir cabo por cabo enquanto eles estão em quatro lugares diferentes. Faça uma varredura rápida da casa: gaveta da cozinha, criado-mudo, caixa da estante, mochila antiga, box na garagem, gaveta do escritório. Traga tudo para a mesa e desenrole.

Com tudo espalhado aparecem duas coisas de uma vez: as repetições (seis cabos iguais de celular) e os órfãos evidentes, aqueles cujo aparelho você não vê em casa há anos. Só esse passo já costuma resolver metade do monte.

A ponta do cabo diz quase tudo

Você não precisa entender de eletrônica para identificar a maioria. Olhe a extremidade e compare com o que existe na sua casa: ponta retangular grande é a de computador e carregador comum, a ovalada pequena é a dos aparelhos atuais, a trapezoidal miúda é a dos celulares antigos e de muito fone e caixinha de som. Ponta larga e chata em geral é de televisão e videogame, e a arredondada com plugue metálico fino costuma ser de fone de ouvido.

Fonte de aparelho é o caso mais confuso, porque o plugue redondo parece sempre igual e não é. Nesses, procure a letrinha impressa no bloco: normalmente há o nome do fabricante e o modelo do aparelho ao qual ela pertence. Se o nome não bate com nenhum equipamento seu, você achou um órfão.

A regra que resolve o resto: existe o aparelho?

Depois de identificar, aplique uma pergunta única a cada cabo: existe nesta casa, hoje, um aparelho que use isso? Não "pode ser que um dia". Existe agora, ligado na tomada ou guardado em algum lugar.

Se a resposta é não, aquele cabo sai. Guardar cabo de aparelho que não existe mais é guardar o retrato de um aparelho. E quando a resposta é sim, mas o cabo está com o revestimento rachado, com o fio à mostra, com a ponta amassada ou esquentando na hora do uso, ele também sai — esse tipo de defeito não vale a pena manter em casa.

Quantos vale guardar de cada tipo

Para os que sobreviveram, um critério simples: quantos aparelhos daquele tipo são carregados ao mesmo tempo na sua casa, mais um. Duas pessoas carregando celular à noite, mais um reserva para a bolsa: três cabos, não onze.

Cabo de televisão, de som e de rede seguem outra lógica, porque ficam ligados o tempo todo e você quase nunca precisa de reserva. Um extra de cada já é generoso. E aquele cabo bem comprido que você guardou para uma situação específica pode ficar, desde que você lembre por quê — se não lembra, ele é órfão com aparência de útil.

Fio não vai para o lixo comum

Cabo, carregador e fonte são lixo eletrônico. Procure o ecoponto ou PEV do seu município, que costuma receber esse material sem complicação. Muitas lojas grandes de eletrônicos, algumas operadoras e certas redes de varejo mantêm caixas de coleta na entrada. Cooperativas de reciclagem e catadores também recebem, principalmente pelo cobre.

Se você tem volume grande, junte tudo em uma sacola e resolva de uma vez, no caminho de alguma outra coisa que você já faria. As regras e os pontos mudam de cidade para cidade, então confira no site da prefeitura onde fica o ponto mais perto de você antes de sair carregando sacola.

Para o monte não voltar a se formar

O que faz cabo virar bagunça de novo é ele morar solto. Duas coisas resolvem bem: prender cada um enrolado com um prendedor de saco de pão, um lacre de pão de forma ou uma tira de velcro, e escrever com fita crepe o nome do aparelho na própria ponta. Leva alguns minutos e evita a próxima escavação.

Depois disso, guarde tudo em pé dentro de uma caixinha, como se fossem pastas, em vez de deitado em camadas. Cabo deitado embaixo de outro cabo é cabo desaparecido. E se ajudar, anote em uma lista curta o que ficou guardado ali e onde a caixa mora — vale principalmente para o cabo do aparelho que você usa uma vez por ano e nunca lembra onde está.