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A gaveta dos aparelhos que ninguém usa mais

Quase toda casa tem aquela gaveta: dois celulares antigos, um carregador de aparelho que já foi embora, o fone que só funciona de um lado, o notebook que esquenta demais, um tablet do primo. A ordem certa de resolver isso é sempre a mesma. Primeiro apague os seus dados, porque depois que o aparelho sai de casa não tem volta. Depois separe o que ainda liga do que já morreu — são caminhos completamente diferentes. E vale saber de antemão: guardar celular "para usar de reserva" quase nunca dá certo, e é justamente o que faz a gaveta encher.

Apagar os dados vem antes de qualquer decisão

Um celular antigo costuma ter mais coisa sua do que a carteira: fotos, conversa de WhatsApp, e-mail logado, app de banco, senha salva no navegador, foto de documento que você mandou para alguém um dia. Passar isso adiante sem limpar é o tipo de coisa que dá dor de cabeça meses depois.

O caminho básico é este: salve o que você quer manter (fotos e contatos, principalmente), saia de todas as contas — conta do Google ou do iCloud, banco, redes — e só então faça a restauração de fábrica pelo menu de configurações do próprio aparelho. Sair das contas antes importa porque alguns celulares ficam bloqueados e inutilizáveis se você apagar tudo sem desvincular.

Não esqueça de retirar o chip e o cartão de memória. O cartão passa despercebido com muita frequência e costuma estar cheio de foto. E em notebook e computador de mesa, se o aparelho já não liga, o mais seguro é tirar o HD ou o SSD antes de mandar o resto para reciclagem — você guarda a peça, e o aparelho segue sem os seus arquivos dentro.

Se ainda funciona: venda, doação ou troca

Aparelho que liga e cumpre a função tem valor real para alguém, mesmo sendo antigo. Celular funcional sai rápido na OLX, e o Mercado Livre e o Facebook Marketplace também dão vazão. O grupo de WhatsApp do prédio ou do bairro resolve sem frete e sem encontro com estranho, que é o incômodo maior dessas vendas.

Seja honesto no anúncio sobre bateria fraca, tela riscada e o que não funciona. Isso evita a conversa chata depois e faz a venda andar mais rápido, porque quem compra aparelho antigo já espera desgaste.

Doação também é caminho legítimo e às vezes mais fácil. Escola de bairro, projeto social, instituição que dá aula de informática e ONG costumam aceitar computador e celular funcionando. Pergunte antes: muita instituição não tem estrutura para receber aparelho quebrado e acaba herdando o problema. Uma mensagem antes resolve.

Algumas lojas grandes de eletrônico e operadoras fazem programas de troca com desconto na compra do aparelho novo. Vale comparar com o preço de venda direta antes de aceitar — nem sempre compensa, mas poupa o trabalho todo.

Se não funciona mais: ponto de coleta, nunca lixo comum

Eletrônico quebrado não vai no lixo do prédio e não vai na sacola da coleta seletiva. Bateria, placa e tela têm componentes que não podem ir para aterro, e a tela de aparelho antigo pode conter material que exige tratamento específico.

Os caminhos disponíveis por aqui:

  • Logística reversa em loja grande: muitas redes de eletrônico, supermercado e loja de departamento têm caixa coletora de pilha, bateria e aparelho pequeno perto da entrada.
  • Ecoponto ou PEV da prefeitura: praticamente toda cidade média tem algum ponto que recebe eletroeletrônico. Vale checar no site da prefeitura quais endereços aceitam e o que exatamente eles recebem.
  • Cooperativas de catadores: em várias cidades elas recolhem, e em algumas dá para encontrar pelo aplicativo Cataki.
  • Cata-treco ou cata-bagulho: serve para o que é grande — televisão de tubo, monitor antigo, impressora. Confira o dia e as regras da sua região, porque nem todo serviço aceita eletrônico.
  • Assistência técnica: algumas aceitam aparelho para peças, principalmente celular e notebook conhecidos.

Pilha e bateria merecem atenção separada, inclusive as que ainda estão dentro dos aparelhos. Bateria de celular e de notebook que estufou não deve ficar guardada em gaveta fechada nem perto de fonte de calor — leve para um ponto de coleta assim que der.

Sobre o "vou deixar de reserva"

É a frase que segura a maior parte desses aparelhos. Faz sentido na teoria: se o celular novo quebrar, você tem para onde ir. Na prática costuma falhar por motivos concretos. A bateria de aparelho parado se degrada de qualquer jeito. O sistema para de receber atualização e alguns apps deixam de abrir, principalmente os de banco. E quando você precisa de fato, o reserva está descarregado, sem chip e sem carregador compatível.

Se você quer mesmo manter um reserva, mantenha um, o mais novo, carregado a cada tantos meses, com o carregador ao lado e uma etiqueta dizendo o que é. Os outros dois ou três não são reserva — são gaveta.

Cabos, carregadores e o resto da gaveta

Fio solto é o subproduto mais fácil de resolver. Junte todos numa mesa e teste rápido: cabo que você não consegue identificar de qual aparelho é já respondeu. Fonte de aparelho que você não tem mais não serve para nada e ocupa espaço.

Mantenha um ou dois cabos extras de cada tipo que você realmente usa hoje, e mande o resto para o mesmo ponto de coleta de eletrônico. Cabo não é lixo comum tampouco, por causa do metal por dentro.

Um começo curto para hoje

Pegue um celular antigo da gaveta e faça só a primeira parte: coloque para carregar, veja se ainda liga, e se ligar, comece salvando as fotos. Você não precisa decidir nada sobre o destino ainda. Aparelho com os dados já resolvidos é um aparelho que sai de casa em qualquer dia — e essa costuma ser a etapa que estava travando tudo.